quarta-feira, 27 de julho de 2011

Realidade


No meio de um banho longo, daqueles que deixamos a alma escorrer pelo ralo pra ver se tudo se renova, o celular toca. Agilizo toda aquele ritual de limpeza e ainda de toalha me pego pra ver, era um número desconhecido. Já vestida o celular toca novamente, dessa vez uma mensagem: "espero que ainda se lembre de mim.". O coração dá uma parada rápida. Quem seria? Ignoro. Com a mente ocupada em algum site bobo, ouço a campainha. Ao olhar pela fresta da cortina não reconheço o rapaz que de costas estava do portão olhando a rua, parecia nervoso, suas mãos fechadas firmes rente ao corpo. Após olhar alguns minutos o misterioso menino vou a porta.
Sinto um leve rebuliço no estômago, não era normal essas coisas acontecerem assim com alguém que nem reconheço. É apenas um garoto, deve estar perdido, pensava comigo mesma. O menino não se movera, continuava de costas, chamo:
- Oi? Ei, você..
Ele se vira. As mãos tremendo, o estômago dando piruetas com as tais borboletas, as pernas já bambas, era ele. Com a boca trêmula não conseguia falar, tudo estava muito confuso agora, por que ele está aqui? Por que não avisara que viria? E principalmente, por que ele ainda consegue me fazer sentir tudo outra vez?
- Oi. - Ele responde.
Depois do choque maior abro o portão, ele não se mexe. Nem eu consiguiria dar algum passo naquela situação. 
- Err, entre. 
Sem me olhar ele senta no banco em frente de casa, sento-me no da frente olhando fixamente para o chão.
- Olha pra mim. 
- Não...
- Por favor. Faz tanto tempo que..
- Você acha que foi fácil? - Ainda de rosto abaixado começo a desabar. - Acha que foi fácil conseguir vir aqui, nesses bancos, e não lembrar de cada minuto que passamos? Acha que foi fácil passar todo maldito dia por aquela praça e não lembrar dos nossos passeios de madrugada? Entrar todo dia em casa e ver que ela não tem mais o teu perfume, ver nossas fotos e não ficar com um aperto por saber que tu não está mais nem aí pra tudo isso, você realmente acha que foi fácil passar por tudo isso? Chorar noites inteiras, passar meses num estado deplorável, dizer tantas indiretas e nenhuma tu ter a capacidade de corresponder. Você não faz ideia de como me destruíra.
Ergo meu rosto, meus olhos já incharcados encontram os dele que para minha surpresa estavam marejados. Ele olha pra cima e suspira, levanta da cadeira e enxuga a lágrima que escorria.
- Você acha que só você amou nessa história? - Com os olhos agora enxarcados iguais aos meus ele eleva sua voz. - Acha que eu também não sofri pra caralho sentindo tua falta? Que todo esse tempo eu fiquei planejando e esperando o momento pra te ver de novo? Que eu não ficava destruído quando via aquelas tuas indiretas pra mim e saber que não poderia te ajudar? 
Ele senta novamente em minha frente, abaixa a cabeça e chora. Meu coração estralhaçara em mil ao ver aquela cena, não havia nada que eu pudesse fazer a não ser..
- Eu só passei por tudo aquilo porque eu amo você.
Ele ergue a cabeça. Se levanta e pega nas minhas mãos fazendo com que levantasse também.
- Quando eu te vi pela primeira vez, eu pensei: porra, essa menina é bem bonita hein. Daquele jeito meio moleque idiota que eu tinha, tu conheces, eu nunca pensei que estaria aqui. Mas aí eu te conheci, te entendi, aprendi contigo, e vi que não dá. Sem você não dá pra continuar, eu preciso de você. 
E então, num movimento rápido ele já me tem nos braços e me beija.
- 6:30 - 
O despertador toca, hora de enfrentar a realidade sem direito a beijos no fim do dia da pessoa amada que continua longe, e não, ele nem mandara a mensagem ainda. Ele não vem.

5 comentários:

  1. Lindo e que triste também, sonhos assim matam a gente.

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  2. MALDITO DESPERTADOR!
    Lindo demais, nossa.

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  3. Nossa, me emocionei lendo *-* muito lindo o texto, bjs ;*

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