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domingo, 2 de setembro de 2012

Como tudo começou (2/30)



Eu gritei. Fiquei desnorteada, mergulhei em uma confusão de pensamentos e pirei. Só consegui me lembrar de como conheci o Alex.

Era verão de 2010 e eu era só mais uma caloura entrando na universidade. Tudo ainda era muito mágico, muito idealizado, do jeito que eu sonhava. Hoje ainda é, se vocês querem saber. Algumas pessoas dizem "A magia logo vai acabar, não é nada disso", mas eu não importo. A magia ainda está aqui. De qualquer forma, foi meio assim que conheci o Alex. Enquanto discutia com um veterano imbecil logo no meu primeiro dia de aula que dizia que eu logo desencantaria. Sabe, até que sou calma, quer dizer, um pouco. Eu contei até 10, mas ele continuou falando, contei até 20, ele continuou falando, contei até 50 e ele ainda estava falando. BUM! Pronto, explodi. Perguntei que raios ele ainda estava fazendo no curso, se não tinha mais a tal da magia. Ele não respondeu, mas dá pra ver a resposta nesses casos. Comodismo, imbecilidade, preguiça, whatever.

O Alex era uma das pessoas que assistia a briga de uma caloura com um veterano imbecil. Depois ele veio falar comigo, disse que era o Alex-do-segundo-ano-de-engenharia-mecatrônica. Gostei logo de cara do cabelinho a la Heath Ledger em "10 coisas que eu odeio em você". Os olhos castanhos quase negros ficavam ainda mais bonitos quando ele baixava a cabeça e levantava os olhos para me olhar. Ele ainda faz isso e eu amo. Ninguém mais faz isso no mundo. Só ele. Acho que eu nunca tive a oportunidade de dizer, queria que ele soubesse. Ele juntou uns papeis que eu tinha deixado cair durante o bate-boca e disse que eu era estressada, que ia dar trabalho para os veteranos que quisessem reinar em cima dos calouros. Gosto de gente assim, ele concluiu. E a última frase me fez esquecer até o meu nome. 

Não nos falávamos todos os dias, mas quando a gente conversava, os assuntos não acabavam. A gente inventava assunto, conversava por horas, e era tão bom. Eu gostava de ouvi-lo falar sobre Cálculo II, as dificuldades e sobre o 6 que valia 10 nessa matéria. Naquela época, nada era muito difícil para mim, ainda era início de semestre e eu estava adorando tudo, mas também queria dizer que havia uma matéria me dando dor de cabeça. Falávamos sobre os nossos gostos musicais, sobre quem éramos e sobre quem éramos antes do que éramos naquela época. Mesmo sem saber direito quem éramos. Mas uma coisa eu vi logo de cara: A gente era confusão na certa.

O flashback virou fumaça e cena dele no chão ainda estava na minha frente, eu não sabia o que fazer. Eu nunca entendi Cálculo II como ele, eu nunca fui boa em conversas longas como ele, mas isso eu aprendi. Ele me ensinou. E apesar das nossas diferenças exatas, a ligação entre nós era humana. Real. E eu gostava daquele cabelinho, e eu gosto do cabelo de hoje e eu gosto dele. E eu não suportava vê-lo daquele jeito. Eu só queria ajudar, mas como? Arranquei cada um daqueles fios que estavam ligados a ele e chorei, pedindo a  Deus que essa história de cortar fios perigosos fosse mais fácil que nos filmes. Nada aconteceu. Segurei a mão dele e ainda assim nada aconteceu. Até que eu vi o seu peito inflar como numa inspiração e vi o ar escapar pela boca formando o som que eu mais gostava de ouvir daqueles lábios: "Diana".


OBS.: Essa é a continuação de um conto fictício que foi iniciado pela Rafaella Soares. A ideia é criar uma história de 30 capítulos, cada um contado por uma blogueira diferente. O meu é o segundo capítulo. O próximo será escrito pela Marcela Lopes.




terça-feira, 17 de abril de 2012

O dia em que desci do carro


"You're still the person I adore,
frozen with fear [...]So nice to see your face againbut tell me will this ever end..."
"Você ainda é a pessoa que eu adorocongelada de medo [...]É tão bom ver seu rosto novamente,mas diga-me se isso vai acabar..."Gotten - Slash ft. Adam Levine

O sol aqueceu a minha pele durante o rápido caminho do hall do meu prédio até o seu carro. Eu entrei e a gente se cumprimentou ainda meio sei jeito, como quem não sabe se beija na boca ou na bochecha. Acabou sendo na bochecha mesmo. Você estava usando aquela sua camiseta rosa que eu gosto tanto e o seu cabelo estava bagunçado. Você disse o meu nome e perguntou como é que eu estava, e nossa, eu gostava ainda mais do meu nome quando dito por você. Lembrei do apelido ridículo que você inventou pra mim e que fica ainda mais ridículo quando você pronuncia, mas pensei em como era engraçado ouvir. E pensei que não seria engraçado se fosse dito por qualquer outra pessoa.

Você sempre me disse que me achava linda de cabelo preso e que quando tudo estivesse difícil, era só eu amarrá-lo. Daria tudo certo. Porque o mundo se ilumina quando eu prendo o cabelo. Eu sempre dei risada, mas eu gostava de ouvir. Eu passei a prender o cabelo mais vezes. A gente estava se olhando e eu pensei não é ele, mas eu gosto dele. E você provavelmente estava pensando a mesma coisa. Não era eu, nem nunca seria, mas você insiste nisso porque alguma coisa te diz que você gosta de mim. Não tem nada a ver com amor. Aliás, esse texto não tem nada a ver com amor. É sobre carinho e coisas confusas, como todas as coisas dessa vida.

Nós nunca nos pertencemos, nunca nos permitimos muito, nunca passamos de qualquer linha que pudesse por em risco algo que sempre foi bom sendo o que era. Sendo simples. Sem complicações malucas de gente que ama, de gente que gosta demais e fala demais. Gente como eu era antes de você. Talvez de como eu voltarei a ser depois de você, quando houver um depois. Uma vez uma amiga me perguntou "você não acha que quando um casal está junto, eles ficam um a cara do outro?" e eu discordei, imagina. Claro que não. Aí hoje de manhã quando você me ligou, você usou aquela minha gíria idiota de sempre e eu fiquei uns segundos sem saber o que dizer. Aí eu só respondi que tudo bem, podia ser. Sei lá o que podia ser, mas naquela hora eu só soube que você era um pouco eu. Um pouco meu. Logo expulsei essa ideia da minha cabeça, não, você não era meu. Você é do mundo.

O motor do carro estava ligado e a gente ainda estava se olhando, olhares embalados ao som de Radiohead que tocava ao fundo. Eu odeio quando você deixa o silêncio tomar conta e não toma atitude nenhuma, nem me rouba um beijo. Eu odeio quando lhe sobra atitude com outras mulheres bonitas, mas lhe falta atitude comigo. Que medo é esse, eu sempre quis perguntar. Mas eu nunca perguntei porque eu nunca quis estragar qualquer coisa que pairava sobre nós. Nós nunca falamos sobre outros, mesmo sabendo que existem os outros. A música no carro já era outra, mas a gente continuava se olhando, talvez nos perguntando o que estávamos fazendo. Você então desligou o carro, colocou as duas mãos no volante e abaixou a cabeça. Não dá, você disse. E me pediu desculpas. Tudo bem. A gente não precisou de muitas palavras, a gente sabia. Estávamos passando daquela linha e passar dela poderia  estragar tudo.

Eu quis te perguntar qual era o seu medo, quis te pedir pra não desistir, quis prender o cabelo... Mas não dava, não dava pra passar da linha. Eu sabia o que eu tinha que fazer. Você pediu pra eu descer do carro e pediu mais um milhão de desculpas. Eu saí do carro e, assim, da sua vida. Porque era só um almoço, mas você não podia suportar a ideia de fazer coisas que só quem tá junto faz. E a gente nunca esteve junto, não é mesmo?  Não. Eu desci do carro, com o sol já mais quente e mais forte batendo nos meus olhos, e você fez a melhor coisa que podia ter feito por mim. Você foi embora.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Da falta


"A vida é sempre a mesma para todos: rede 
de ilusões e desenganos. O quadro é único,
 a moldura é que é diferente."
Florbela Espanca

A música está alta, as bocas e os copos estão cheios, os peitos estufados, mas todas aquelas pessoas estão vazias. Cada uma delas, andando pelo salão lotado, esbarrando umas nas outras, sorrindo por fora e sentindo sabe-se-lá-o-que por dentro. A menina também está ali, parada naquela rodinha de gente bonita. Ouvindo as histórias de sempre, as piadas de sempre, as risadas de sempre. Não que ela não gostasse daquelas pessoas, muito pelo contrário.

A questão é que ouvir a mesma coisa sempre, cansa. Ela está cansada da mesmice da vida, das pessoas que ficam sorrindo por aí o tempo todo, como se não se cansassem nunca. Mas ela também está ali, sorrindo só para não bancar a chata. Vez ou outra ela estala o pescoço, vira os olhos e vira também a bebida do copo, na boca. A festa está cheia, as músicas estão ótimas e a garota até arrisca uns passos quando alguns amigos a chamam para dançar, mas apesar de tudo isso, aquela garota sabe que falta alguma coisa.

Ela está rodeada de pessoas das quais ela gosta, ouvindo as músicas que ela gosta, falando sobre coisas que ela gosta, mas ainda assim, tudo aquilo está tão repetitivo. Tá tudo tão igual, que ela só consegue empurrar com a barriga. Caminhar por entre as pessoas procurando alguma coisa que nem ela sabe o que é. Alguém, quem sabe. Por esses passos aleatórios no meio daquele salão ela encontra conhecidos, sorri mais um pouco, usa do seu senso de humor no meio das conversas porque só assim consegue ser engraçada. Contando piada é que não dá, ela não tem esse dom. Faz algumas pessoas rirem, sorrirem e até a acharem o máximo. Aí ela some, dá mais umas voltas e volta pro mesmo lugar, para os mesmo amigos.

Ela só quer um pouco de adrenalina, de emoção, de alguma coisa que movimente um pouco a sua vida. Ela quer ser surpreendida. Ela quer conhecer pessoas novas, lugares novos, bebidas novas, só pra depois voltar para as coisas velhas. Depois de respirar novos ares ela volta correndo para os antigos amigos. Ela está em busca de alguma coisa no meio de tantas coisas. Ela está em busca de alguém, mas quem? Ela sabe, é claro que ela sabe. Ela sabe a falta que faz, mas fazer o que? Ela procura um só rosto no meio de milhões, procura um sorriso por entre esses sorrisos que recebe, procura um só jeito de ser, um jeito singular de ser, no meio de pessoas que nunca vão ser o que ela espera. Nunca vão ser quem ela espera.

Já dizia Adorno, a solução é despadronizar. Quebrar esses padrões para que se possa enxergar além. Mas ela não se importa de se apaixonar por outras pessoas, mil vezes ou quantas vezes forem possíveis.  Essa garota não se importa de sentir algumas coceguinhas no estômago e transformar essas coceguinhas em um amor inventado. Mesmo que acabe em um mês. Mesmo que acabe em uma semana. Ela não se importa desde que isso signifique que durante aquelas semanas ela não vai sentir esse vazio, essa sensação de que falta alguma coisa. É como uma distração.

Ela distrai a mente com os amores inventados só para não sentir aquela falta sempre. Aquela falta de sempre. Ela distrai a mente, porque o coração ela não consegue. Tá certa ela. Tá ficando mais racional, tá treinando driblar a falta, a ausência. Continua assim, menina, continua treinando, quem sabe um dia você não aprende? Quem sabe um dia a gente não aprende? Depois de muitas decepções não é coração que vai ficando mais duro, é o estômago. Assim, as borboletas não se plantam e não se agitam tão facilmente. Assim, o tempo passa e a cada dia nós temos menos estômago para todas essas coisas que a gente engole e aceita em silêncio. 

Dedicatória: Queria dedicar esse post para a Ana Lu que me pediu um texto citando Florbela Espanca. Beijinhos NaLu :)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O desenhista



"Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo."
Era só mais um dia normal - ou parecia ser - quando me vi obrigada a mudar o meu horário de almoço. Teria que almoçar uma hora mais tarde, mas o lugar era o de sempre. O shopping. Aí sentada na praça de alimentação eu te vi desenhando, concentrado e com um hambúrguer gigante ao lado. A luz batia no seu cabelo dourado e no seu rosto que parecia de mármore e então você passava a mão no cabelo, bagunçando. Achei aquilo tão charmoso e quis muito saber o que você estava desenhando, o que prendia a sua atenção.

Os dias foram passando e eu passei a te ver todos os dias no mesmo lugar. E eu te olhava e te olhava e queria olhar os seus desenhos. Eu queria bagunçar o seu cabelo e passar a mão no seu rosto só pra ter certeza da textura dele. E olha como é a vida: tínhamos uma amiga em comum, descobri dias depois. Era destino, só podia. E então, nós fomos apresentados. Começamos a conversar todos os dias, devido a esses encontros da vida. Não é incrível? Não é incrível como algumas pessoas aparecem na sua vida por acidente?

A cada conversa eu me encantava mais, me perdia mais, sorria mais e a cada dia tínhamos mais coisas em comum. Você sabia me conquistar involuntariamente e eu gostava de estar com você. Só te olhando, só te ouvindo, só te vendo desenhar. Então, você citou minha frase de filme favorita. Só pra me ganhar mais um pouco, só pode. E aí eu pensei em como nunca tinha te encontrado antes? Pensei na vida e em todos os desencontros dela. Em todos os encontros. Eu pensei em tantas coisas e tive medo de gostar de você. Eu tive medo de gostar de você porque eu não era a única que tinha percebido o seu sorriso e o seu senso de humor genial.

Eu tive medo de me apaixonar e ser só mais um curativo para uma ferida aberta, tive medo de te transformar em curativo para as minhas feridas também. Mas ai eu olhei para os seus olhos e fiquei sem ar quando você segurou meu rosto sabe-se-la-porquê, porque eu não me lembro. Eu só lembro de ter congelado por dentro e de não sentir mais medo. Só uma confusão muito grande por motivos muito bobos. Eu não sei o que eu tô sentindo agora e isso me confunde. Sabe, se você me olhar agora e me disser que vai valer a pena, eu faço acontecer. Mas se não for para ser bom, que nem seja, então. Os dias foram passando e eu queria cada vez mais tempo com você.

Eu queria que você me ensinasse a desenhar e a ser engraçada. Eu queria saber como você me vê, porque ultimamente a gente se pega olhando um para o outro e eu fico pensando o que você enxerga quando me vê. Eu adoro o seu senso de humor genial, eu adoro o seu sarcasmo, eu adoro os seus olhos cor de amêndoa e eu adoro a sua pele macia. Eu adoro os seus desenhos, eu adoro o modo como você abraça as pessoas e o modo como você toca no meu rosto. Eu adoro sorrir para você sem saber direito o porquê. Eu adoro quando você cita meu autor preferido ou frases dos filmes que eu mais amo.

Eu adoro quando você bagunça o cabelo e adoro, principalmente, quando você atravessa uma multidão de gente só pra falar comigo. Você desenha as coisas e as pessoas do modo como você as vê e isso é lindo. Porque você vê tudo lindo. Me faz ter vontade de te desenhar, pra te mostrar como eu te vejo. Pra mostrar como você é. Mas como eu não sei desenhar, eu escrevo. Escrevo tanto que talvez nem faça sentido. É tudo confuso demais, palavras confusas demais, mas elas refletem a confusão que é gostar de você. Se é que gostar é a palavra certa. Você me devolveu as borboletas e eu só te peço que não as alimente se um dia for matá-las. Eu te dei um texto e te mostrei como eu te vejo. Não faça com que eu me arrependa disso, por favor. Ah, e se você quiser me desenhar um dia desses, fique a vontade. Eu iria adorar descobrir como você me vê.

domingo, 28 de agosto de 2011

Desmontada


"You can take everything I have
You can break everything I am
Like I'm made of glass,
Like I'm made of paper
Go on and try to tear me down
I will be rising from the ground
Like a skyscraper."


"Você pode pegar tudo o que eu tenho
Você pode quebrar tudo o que eu sou
Como se eu fosse feita de vidro
Como se eu fosse feita de papel
Vá em frente e tente me derrubar
Eu vou me levantar do chão
Como um arranha-céu."
(Skyscraper - Demi Lovato)

A menina acordou leve nessa manhã de sábado. Acordou feliz. Foi na padaria sorridente e até arriscou assobiar  umas músicas alegres enquanto caminhava. Sabe, quem vê essa garota agora - toda montada, linda, feliz e incrível - não imagina como ela estava há uns dias atrás. Não imaginam porque as pessoas estão sempre com pressa e não enxergam as coisas como realmente são, aí passam com pressa ou até mesmo com superficialidade e não enxergam. Que pena, é só questão de observação, de interesse. Muitos não sabem, mas antes dessa felicidade suave nessa manhã de sábado, ela estava no escuro. Não literalmente, mas por dentro. Sabe esses terremotos que a vida traz pra perto da gente? Pra dentro da gente? Desses que colocam tudo fora do lugar, de ponta cabeça e destroem milhares de coisas. A vida é cheia desses terremotos e maremotos e todas essas coisas que destroem outras. Que vêm e levam certezas, coisas e pessoas para um lugar que a gente não conhece. Um lugar longe da gente e a gente nunca vai entender o porquê. A gente só sente muito. Sente muito por todas essas coisas e pessoas que vão embora e nem dá tempo de dizer adeus. Poxa, a vida podia avisar antes né? Talvez para nos prepararmos e praticarmos o desapego e não sofrermos tanto com tudo isso. Quem vê essa menina agora, não imagina como ela se doeu essa semana. Não imagina o quanto ela chorou e nem consegue imaginar ela desmontada, desarmada. Sem a casca, pura alma. Só a melhor amiga viu, porque a melhor amiga conhece ela e não iria achá-la uma idiota por estar chorando por um cara que não vale a pena. E a menina inabalável desmoronou na frente da melhor amiga que só a ouviu, que só a abraçou. A melhor amiga ficou em silêncio enquanto a garota enterrava o rosto em seu ombro, porque ela sabia que nada poderia ser dito naquela hora. Ela sabia que todas aquelas coisas clichês de "calma, não chora, ele não vale a pena" não precisavam ser ditas, afinal, todas nós sabemos disso. Mas ainda assim, a gente ainda chora por esses caras que não valem a pena. A menina chorou, chorou e passou dois dias chorando. Chorou até secar, chorou até todo aquele amor escorrer junto às lágrimas. Chorou até tudo aquilo esgotar, todo aquele sentimento ruim de decepção e todo aquele restinho de amor que ainda resistia lá dentro do coração. De tanto chorar, secou. Deixou todos aqueles sentimentos ruins e todos aqueles cacos saírem para fora de seu corpo e então, sorriu. Encontrou pessoas incríveis no caminho que conseguiam olhar em seus olhos e enxergar sua alma. E essas pessoas seguraram sua mão e a ajudaram a caminhar, fortalecendo suas bases tão fragilizadas depois de um baque. A ferida ainda dói, mesmo cicatrizando rápido. A marca que ela deixou, nem todo tempo do mundo pode apagar. A menina sempre soube que nada é eterno, mas toda despedida é dolorosa. E depois de um mar de confusões ela conquistou uma paz que quase não cabe dentro dela. Uma liberdade e uma felicidade que não podem ser explicadas em palavras. Graças a Deus que a gente passa por tantas barreiras nessa vida e ainda assim não perde a esperança. Graças a Deus que um milhão de caras quebram nossos corações e ainda assim acreditamos no amor. Se o amor ainda não aconteceu é porque ainda não estamos preparadas para ele. Um dia vai aparecer um cara que vai aquietar as nossas mãos aflitas, vai calar nossas bocas com um beijo quando começarmos a falar demais e vai fazer tudo ficar incrível. Tudo valer a pena. Graças a Deus que mesmo depois de tantos socos no estômago a gente ainda consegue sorrir e ver as coisas lindas da vida. Ver como a vida é linda.

Por Marie Raya.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ela sabe o que quer


Sorriso de quem usou aparelho a vida inteira, cabelos longos e castanhos, olhos grandes e curvas perfeitas. Assim ela é. Mas será quem ninguém vê nada além da beleza dessa garota? Ninguém vê quantos sorrisos ela tem? Ninguém vê o modo como ela fala com os olhos? Ou como ela quer ser amada? Ela está cansada de homens que a veem como um pedaço de carne, ou a querem por puro prazer para inflar seu próprio ego. Ela quer alguém a enxergue de verdade, que a escute atenciosamente e que a beije no meio da tarde. Alguém que assuma pro mundo que a ama, e que seria o cara mais feliz do mundo se a tivesse ao lado. Ela quer alguém que condiga com o que diz, com o que escreve pra ela. Ela quer um homem que saiba que ela cheira a Versace, mas que já usou Salvador Dali e Amor Amor. E não tente conquistá-la se não tens a intenção de retribuir o sentimento, porque quando você a abraça a alma dela grita me solta senão eu não vou te soltar. Não diga que ela é a única se você diz a mesma coisa para as outras 54 da sua lista de contatos e acima de tudo não minta, jamais, nem por um segundo. Ela só quer um amor de verdade. Comprar e ganhar presentes no dia dos namorados, ganhar um coração de chocolate na páscoa, almoçar na casa da vó no sábado e jantar na casa da sogra no domingo. Ela quer ganhar flores numa tarde de primavera, aliança no aniversário de namoro e carinhos em tempo integral. Mensagens no meio da noite ou quem sabe no meio daquela aula chata da faculdade. Ela quer sorrir ao ler as mensagens e que a pessoa que a escreve mereça isto. Quer alguém que tope uma sessão pipoca nos domingo solitários, jogar video game nas horas vagas e ficar embaixo das cobertas numa tarde de outono gelado. Tomar sorvete na praia, caminhar de mãos dadas pela areia e tomar água de côco no calçadão. Ela quer alguém que a convide para ir ao cinema na quarta, jogar paint ball na sexta e viajar nos feriados. Ela quer alguém carinhoso, engraçado, encantador, bonito, inteligente, sincero, fiel e com muitos sonhos. Talvez ela queira alguém que não exista. Será que dá pra falar isso pra ela? Alguém pelo amor de Deus grita aí pra ela parar de procurar alguém perfeito? Fala pra ela que essa pessoa talvez não exista. Fala agora, antes que a vida fale.



Por Marie Raya.

terça-feira, 15 de março de 2011

Garota (Im) Perfeita


Estou precisando de óculos, minha visão está tão embaçada. Vejo o contorno de uma menina. Pisco com força, aperto os olhos tentando enxergar melhor. Posso ver seus cabelos castanho médio - ondulados - caídos sobre os ombros, os olhos escuros, uma garota visivelmente comum e estranhamente familiar. Aos poucos consigo ver seu interior, seus sentimentos. É como se eles estivessem em uma vitrine, expostos a todos. Ela é encantadora e fascinante. Ela se apaixona, se envolve, se entrega e cai fora antes de cair dentro. Ela não permite-se realmente gostar de alguém, ela até gosta, mas prefere não se arriscar. Ela encanta e apaixona, ela aprisiona os corações masculinos e canalhas. Ela não se ilude, ela ilude. Ela está no pedestal feminino, simplesmente todas as garotas queriam esse poder. Queriam ser amadas e escolhidas pelos garotos mais cobiçados mas, espere aí - Pisco mais uma vez. Minha visão está desembaçando lentamente, agora eu vejo uma garota triste, que pode ter todos mas não tem nenhum. Que beija um milhão de bocas e não sente o gosto doce, que é procurada mas não se entrega. Não se encontra e nem se perde. Permanece estática, insensível e infeliz. O que é aquilo descascando em sua pele? O que é aquilo descolando de seu rosto? Uma máscara? Onde está o sorriso garota? Onde está o amor mútuo e o amor próprio? Apegue-se, arrisque-se e quebre a cara. Pra tudo tem cura, até mesmo pra coração quebrado. O coração se refaz, ele é como uma fênix que renasce das cinzas quando a gente menos espera. A única coisa inevitável e incurável nessa vida é a morte. Aos poucos minha visão vai ficando mais nítida mas espere um pouco, a garota..
- Espelho novo no seu quarto filha! - Grita a minha mãe.




Por Marie Raya.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mulher demais.



Era tarde de inverno gelado quando decidi ser mulher - ou garota - o suficiente para me declarar. Lá estava você, na minha frente, com aquela expressão que eu conhecia muito bem. Meu melhor amigo da vida inteira, aquele com quem brincava de corrida na infância e aquele que me contava todos os seus medos em relação aos relacionamentos amorosos. Eu sabia que você sentia o mesmo, ou pelo menos algo, ou talvez estivesse errada. Nunca fui uma garota perfeita, nunca fui um protótipo de barbie malibu ou coisa parecida, eu sempre fui.. eu. Aquela que te batia quando você me chamava de gordinha, a que quebrou seu carrinho favorito tentada provar que eles podiam voar, a que mordeu seu braço quando você me deu um tapa, a que ficou horas no telefone ensinando os exercícios de matemática e a que escutava sobre seus beijos e noites amorosas com outras garotas. Foi essa garota que te disse, naquele momento, que te amava e sempre amou. Foi essa garota que disse que sabia que tal amor era recíproco e perguntou o que ela tinha de errado? Feia demais? Chata demais? Foi essa garota que ouviu você dizer que ela era a mulher da sua vida. Mas então porque não podíamos ficar juntos? Porque você nunca havia dito nada? Foi então que essa garota ouviu você dizer que não daria certo. Você me disse que eu era agitada demais, extrovertida demais e talvez loira de menos. Talvez eu não tivesse cara e comportamento de anjo o suficiente para te merecer, mas eu lhe digo, eu preferia ter ouvido que você não me amava. A dor da decepção foi tão culminante que não medi as palavras.  Daqui uns dez anos, quando você estiver chegando em casa verá sua santa mulher presa ao fogão - grávida - fazendo comida para seus cinco filhos. Depois ela limpará toda a casa e claro, não trabalhará. Na hora de dormir vocês terão uma relação medíocre, na qual ela terá medo até de respirar porque talvez você pode achá-la uma vagabunda. E quando você deitar a cabeça no travesseiro você vai lembrar de mim. Vai lembrar da garota agitada demais, chata demais, risonha demais, atrapalhada demais, inteligente demais e vai sentir falta dela. Nesse momento, sua cabeça vai afundar no travesseiro e você vai perceber que perdeu sua vida da pior forma, vivendo. E enquanto sua mulher dorme, bem ali do seu lado, eu estarei  fazendo o homem que estiver do meu lado o mais feliz do mundo, porque hoje eu entendi que além de ser agitada demais, chata demais ou inteligente demais, eu sou mulher demais pra você.

TEXTO BASEADO EM FATOS REAIS - AGRADEÇO MINHA AMIGA MICHELE PELA INSPIRAÇÃO.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Parece claro?


O que eu vejo não parece claro. É como se eu estivesse olhando através de um copo, enxergando tudo embaçado. Como eu nunca percebi o seu sorriso? Como não me recordei dos seus olhos? Era você o tempo todo. A culpa não é sua, sou eu o problema e não, não estou despejando um papinho clichê em cima de você. O problema sou eu, que estou sempre em busca da perfeição. Não me venha com abraços, não me venha com palavras. Não me peça para confiar, pois eu grito: Não confio! De que adianta a confiança se as pessoas sempre fazem questão de quebrá-la? Não seque minhas lágrimas, não toque meus lábios. Quantas das minhas mensagens você respondeu? Preste atenção garoto, eu não sou aquele protótipo de garota que você imagina. Ou melhor, que você conhece. Você pode ter o sorriso mais lindo, o olhar mais convidativo e a conversa mais solta, não me convence. Não faz sentido, talvez eu tenha me cansado de escrever para você. Talvez eu tenha me apaixonado pela ideia que criei de você. Talvez eu tenha me apaixonado pelo meu próprio amor. Acho que está na hora de renovar as inspirações e rever meus conceitos sobre você. Confesso, sentirei saudade do teu sorriso todos os dias, mas é para isso que existem as lembranças. Para aquecer um coração vazio. Está começando a ficar mais claro, ou só estou me confundindo mais. Talvez seja o sol entrando na janela do quarto. Nada disso parece claro.

PS: Post inspirado em situações que três amigos estão passando: Letícia, Kauê e Fran. Obrigada por estarem sempre aqui acompanhando.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Relato de um amor perfeito


Ela acordava antes dele todas as manhãs, escovava os dentes e voltava pra cama. Ela sabia que ele acordaria e lhe daria um beijo de bom dia e, achava justo manter o hálito doce para ele. Ele achava que acordava mais cedo que ela, preparava um super café da manhã e levava na cama. Ela fingia espreguiçar e sentia-se a mulher mais feliz do mundo ao ver a bandeja de café da manhã na cama. E ela era, ela era a mulher mais feliz no mundo dela. O mundo dela era ele. Ele que amava ver aquele sorriso todos os dias e amava ainda mais saber que ele era o principal motivo daquele sorriso. Ela conhecia cada mania dele e ele era a maior mania dela. Ele sabia que quando encabulada, ela enroscava o indicador em uma mecha de cabelo e ficava enrolando e sabia também que quando nervosa ela mordia o canto direito inferior do lábio. Ela conhecia todos os sorrisos dele. O sorriso malicioso, o divertido, o sem graça, o irônico, o doce e o dela. Não havia nada mais prazeroso pra ela que ver suas primeiras rugas ao lado dele. E as rugas dele - na opinião dela - só o deixavam cada vez mais charmoso. As rugas só fizeram-se aumentar. Ela partiu primeiro que ele, que quase não suportou a dor. Mas permito-me dizer, que talvez tenha sido melhor assim. Ele era todo o oxigênio dela e se ele tivesse partido primeiro, vocês sabem né.. Não se pode viver sem respirar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Fumaça


É de manhã e aqui estou, sentada nesta mesa, esperando o café ficar pronto. Sinto o cheiro inundar a cozinha e vejo a fumaça formando e dissipando-se rapidamente. E nesse vai e vem de fumaça me perco em mais um devaneio. Vejo a fumaça do café de todas as manhãs, a fumaça do cigarro quando caminho nas ruas e até mesmo a fumaça da poluição paulistana. Ah, e como amo essa poluição. Claro, seria a primeira coisa que eu mudaria nesta cidade. Mas é São Paulo, e eu amo tudo que me prende aqui, tudo aquilo que caracteriza essa cidade. Todo esse asfalto me fascina. Vejo também a fumaça do gelo seco em contato com a água, a fumaça do meu banho quente de todos os dias e a fumaça que escapa dos meus lábios nos dias frios. Mas e a fumaça de pele? Pele com pele, contato. A fumaça da minha pele em contato com a sua e todas as consequências que ela gera. Fumaça invisível, de saudade e de toque. Faz arrepiar e trepidar. Me faz querer não distanciar, continuar ali, pele com pele. Sua mão na minha, por um segundo que seja, por um pequeno instante de borboletas no estômago e riso fácil. Diga-me que você também enxerga essa fumaça de pele. Diga-me que também sente as borboletas em alvoroço no meu estômago. Elas também visitam o seu? Diga-me que só as sente quando estás comigo e quando toca a minha pele. Ou apenas opte pelo silêncio, que tanto me fascina. Mas não se esqueça daquele sorriso de que tanto gosto. A fumaça está dissipando-se, é.. O café está pronto.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Com amor, Catarina

Com Amor, Catarina.
capítulo 2

Lá estava eu, na minha cama, com uma caneca de café amargo - para me dar coragem - pensando em como começar aquela carta. Ou melhor, aquele e-mail. Achei que seria mais fácil e mais discreto. Com o notebook sobre as pernas eu digitava e apagava gradativamente. Me sentia uma tola em estar fazendo aquilo, mas de certa forma, eu precisava. Mais um gole de café foi o suficiente para que eu digitasse as primeiras palavras:

" Caíque,
Sinto-me uma completa idiota e pré-adolescente ao escrever este e-mail, mas eu preciso correr esse risco. O risco de parecer absurdamente patética diante de você. Antes de tudo, fique tranquilo, eu não sou uma pré-adolescente de 14 anos com surtos românticos e psicóticos. Acredite, tenho meus 19 anos. Não vou despejar aqui - neste e-mail - milhões de palavras piegas e muito menos fazer juras de amor afinal, nunca nos falamos. Sou uma estudante de moda que tem se interessado cada vez mais por esportes, motivo? Você. Meu quarto passou a ter uma pilha de revistas cuja coluna esportiva está grifada com marca texto. E olha que coincidência, quem assina no final de cada uma delas é você. Não sei explicar como ou muito menos quando isso aconteceu e pra falar a verdade, ainda nem sei o que esse 'isso' significa. A única coisa da qual tenho certeza é de que algo aconteceu quando eu li sua coluna e apesar de estar mandando este e-mail totalmente sem sentido, aguardo uma resposta. - pausa para mais um gole de café; - Obrigada por perder seu tempo lendo minhas bobagens (caso e se você ler).

Com Amor, - pausa para um devaneio: ('com amor?' que tipo de idiota eu sou? whatever)
Catarina. "

|Successfully sent|

sábado, 16 de outubro de 2010

Com amor, Catarina

Hello leitores, haha. Bem, vou começar hoje, agora, um novo conto, porém, é um conto mais comprido, que não terá apenas 3 capítulos, como normalmente escrevo. A quantidade de capítulos vai depender do interesse de vocês. O nome dessa é história é: 'Com amor, Catarina'.

Com Amor, Catarina.
capítulo 1

Eu lia aquela revista há um ano e meio e percebi que havia uma nova coluna nela. Uma coluna de esportes. O que eu, Catarina Allen - estudante de moda, estaria fazendo me interessando por uma coluna esportiva? É simples. O nome que vinha assinado logo no final dela: Caíque Lene - o jornalista. A partir daquele dia eu passei a me importar mais com aquela coluna, do que com qualquer outra parte daquela revista. Nunca o encontrei, nem ao menos sabia de sua existência até ler aquela coluna. Passei a me perguntar todos os dias o que fez com que eu me encantasse por ele, mas eu não tinha respostas. Talvez um feeling, talvez loucura. Não. Loucura foi a consequência desse sentimento. Mas, deixemos isto para depois. Contarei à vocês como foi minha rotina daquele dia, até hoje. Passei a buscar por informações, matérias, e entrevistas com o Caíque. Mais que isso. Passei a acompanhar seus trabalhos e ele, por sua vez, passou a ser presença constante nos meus sonhos. Ele invadiu meus pensamentos, e roubou minha atenção. Passei a me sentir uma completa idiota. Eu já tinha meus completos 19 anos e me sentia como uma pré-adolescente. Em meu apartamento já se notavam montes empilhados daquela revista. Era impulsivo, era insano. Depois de oito meses lendo aquela revista, mais especificamente, aquela coluna eu tomei uma decisão. Só havia uma coisa com a qual eu me saía bem, além da moda. Palavras. Mal sabia eu, que aquela decisão iria mudar minha vida. Eu decidi escrever cartas. Cartas para Caíque. Não sabia o que escrever, muito menos como escrever. Só sabia de uma coisa. Eu queria correr riscos, nem que aquilo me custasse um coração.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um Novo Amor

Platônico.

Eu o vi. No meio de tanta gente, em uma cidade imensa, o destino nos colocou frente a frente. No meio da rua, me senti uma completa idiota. Perdi todos os sentidos possíveis quando ele sorriu. Claro que ele me cumprimentou, ele é absolutamente educado. E que sorriso. Aquele sorriso que eu desejei - e confesso, ainda desejo - todos os dias. Os olhos claros que, mudam de cor de acordo com a iluminação do ambiente. Quando ele me beijou no rosto senti a textura de sua pele. Que saudade. Foi rápido demais, a pressa era mútua, mas eu esqueci da cronologia do tempo. Naquele momento, a realidade da situação me destruiu. Fez meu coração tremelicar e sentir o baque. Aquele sorriso não era meu. Nunca foi meu, e talvez nunca seria. Aquele sorriso era doce e malicioso, era perfeito mas não era meu. O som da voz dele, foi a melodia mais deliciosa que meus ouvidos puderam presenciar naquele momento. O tempo congelou por minutos. Naquele momento eu o deixei ir embora, sem pronunciar as palavras que eu quis que ele ouvisse de mim. Eu percebi que na realidade, aquilo de não passava de um amor platônico. Absurdamente real e incondicional. Mas quando um amor é sentido por apenas uma pessoa, ele é platônico. Um amor só é real quando mútuo. Talvez um dia desses a gente se encontre de novo, e eu lhe convide para tomar um café. Talvez seja mais fácil do que derrubar um milhão de palavras mal ditas sobre sentimentos loucos. Mas de uma coisa eu sei. Eu sinceramente me apaixonei por aquele sorriso.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um novo amor

O Tipo De Coisa Que Só Acontece Comigo.

Depois daquele sorriso, eu nunca me senti tão perdida e calada em toda a minha vida. Não podia falar por receio, não podia demonstrar, estava desnorteada. Depois daquele sorriso, eu passei a desejar vê-lo todos os dias, sempre o mesmo sorriso. Desejando sempre aquela sensação de um coração pulsante, de uma semente plantada, regada e completamente desregulada. Desejei que eu fosse a principal razão daquele sorriso que me fez trepidar por dentro, e que esboçou no meu rosto o meu melhor sorriso. Passei a me perguntar todos os dias se foi o tal sorriso o início de um novo sentimento, ou se foi o ápice de um sentimento guardado. Eu não sabia responder. Eu só sabia uma coisa. Aquele sentimento não me parecia uma simples paixão efêmera, passageira. No momento em que o buraco foi aberto no meu coração, percebi que não tão cedo ele se fecharia. Pensei em falar desse sentimento. Mas foi então, que uma amiga, numa simples brincadeira deixou escapar que estava apaixonada. Fiquei feliz por ela até ela dizer o seu nome. Senti meu coração trincar em milhões de rachaduras. Eu podia suportar tudo no amor, menos decepcionar uma amiga que compartilhava um sentimento à uma mesma pessoa. O que eu podia fazer? Gritar o meu amor para ele? Ferir o coração de uma amiga que não merecia tal coisa? Eu fico com o silêncio. Fico com as deliciosas sensações de te amar, as borboletas no estômago, os sorrisos automáticos, os arrepios repentinos. Mesmo em silêncio, mesmo em segredo. Eu passei a me contentar com o sonho e abri mão de uma realidade. Por ela.
Decidi esperar, dizem que o tempo é sempre sábio. Ainda não sei qual o próximo passo, só sei de uma coisa. Não sou do tipo de pessoa que quebra corações de pessoas especiais. Muito menos tão especiais quanto ela. A minha amiga.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um novo amor

Sementes e sorrisos.

Havia se passado dois anos, e nesses dois anos não vi mais você. Nem ela, minha melhor amiga. Nesse tempo todo, desde a primeira vez que te vi - te achei realmente estranho - , nunca houve um real sentimento sincero de amor. Sempre teve uma química, confesso. Ainda mais quando essa química era alimentada pela minha melhor amiga. Você também nunca foi fácil, sempre plantou sementes no meu coração, mas elas nunca passaram do limite. Nunca cresceram o suficiente. Talvez porque meu coração estivesse ocupado na época, não sei. A gente se dava bem, você me fazia rir, e não posso negar que de todos os garotos que eu já conheci em toda minha vida, você era um dos mais lindos. Depois que fui embora, nunca mais senti aquela química. Pensei em você algumas vezes, mas nada além disso. Dois anos sem te ver, aqui estou eu - de novo - realmente perto. Como é bom matar a saudade. Então você apareceu, me olhou com aqueles olhos que só você tem e sorriu. Ah, quando você sorriu, perdi o ar, perdi o chão e todo o controle sobre os meus sentimentos. Como aquelas sementes cresceram tão rápido? Quase abrindo um buraco no meu coração, de tão forte. Quando elas cresceram que eu não vi? Foi só o começo. Quando eu vi você sorrir eu sorri também. Então percebi - já era - me apaixonei.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Trechos de Uma História de Amor

Palavras Não Ditas.

Era outono. Aquele vento, cuja intensidade era média, batia em meu rosto. Eu adorava aquilo. Vento, folhas secas caídas no chão, clima frio. Ou quase isso. O caminho até a padaria era curto, curto até demais. Por mim eu ficaria horas caminhando, com aquela brisa em meu rosto. Enquanto caminhava, meus devaneios invandiam minha cabeça. Eu ficava elaborando palavras, selecionando frases para dizer à você. Defini um pequeno texto, que reunia todos os sentimentos que em mim habitavam, para lhe dizer quando te encontrasse. Entrei na padaria, meio desnorteada, perdida em pensamentos. Mas pedi os pães. Foi nesse instante, que minha música favorita, soou atrás de mim. Sua voz me fez despertar do mais profundo devaneio. 'Oi'. Quando olhei para trás, lá estava você. Doce, como sempre. Eu lhe respondi com outro 'Oi', mais travado, mas respondi. Não pude evitar um sorriso, você despertava em mim o meu melhor sorriso. Era automático. Tentei lembrar do texto que eu havia elaborado para lhe dizer. Tentei lembrar das palavras, mas elas embaralharam em minha cabeça. Nem os sentimentos estavam sóbrios mais. Eles estavam desnorteados, nostálgicos. Meus sentimentos conheciam bem a sua voz - minha música preferida - sinuosa. Senti raiva de mim por não conseguir dizer nada, por não conseguir lembrar das palavras. Era como se eu tivesse uma tecla 'PAUSE'. Ao seu lado, minha voz perdia o som. Peguei os pães, e saí da padaria. Andei os quinze passos mais longos, até ouvir sua voz. 'Espera'. Foi meu trecho preferido. Aquele sorriso de novo invadiu meu rosto. Me virei devagar, como em câmera lenta. Ver sua expressão doce e angustiada me fez trepidar. Você segurou minha mão - gélida - fazendo assim, esquentar meu coração. Você completou minha música novamente:

- Eu só queria que você soubesse, que eu vou sentir sua falta, incondicionalmente.

A única coisa que eu consegui sussurrar foi 'Eu também'. Então você finalizou, com aquelas três palavras, repetitivas e deliciosas. As minhas três preferidas:

- Eu Te Amo.

Perdi o chão, o ar, os sentidos e tudo mais que eu precisava para viver. Eu morri. Morri da melhor maneira que se pode morrer, de amor. Um silêncio considerável se fez. Então você se virou, e foi. E eu não tive forças, não tive forças para apertar o play. Para dizer aquelas três palavrinhas, que você - mais do que ninguém - merecia ouvir. Eu queria gritar, mas nada mais adiantaria. Você já tinha sumido de minha visão. Uma folha tirou o foco do meu olhar. A última folha seca caiu da àrvore, ali na minha frente.
Pisquei. Meu devaneio chegou ao fim. Mais uma invasão de lembranças. Lembrança das palavras, aquelas três palavras. Palavras não ditas.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Trechos de Uma História de Amor


Destroços De Um Coração.

Aquela música - que eu adorava dançar - havia se tornado uma sessão tortura aos meus ouvidos. Todas aquelas luzes, aquela fumaça, ofuscando a minha visão. Eu nunca odiei aquilo tudo. Mas naquele momento, elas faziam com que eu me sentisse tonta, perdida. Impossibilitando toda a visão que eu tinha de você. Eu, sentada naquela cadeira, isolada da festa, naquele canto. Tive a impressão, de que quando as pessoas me olhavam, imaginavam que eu tinha bebido tanto, que não conseguia nem levantar. Todas aquelas pessoas, me julgando com os olhos, soltando cochichos maliciosos. Mas eu estava bem. Pelo menos, no sentido de bebida. Eu estava apenas desnorteada. Vendo você tão perto de mim, e tão distante ao mesmo tempo. Sempre ouvi essa expressão, mas nunca havia sentido ela de fato. Naquela noite, nenhuma gota de alcool molhou meus lábios. Meus lábios sedentos. Sedentos do teu beijo. O qual há muito tempo eu não provara mais.
Você, um pouco a frente de mim, sentado em outra cadeira sozinho. E eu, tentando criar uma coragem que não brotava nunca no meu coração. A coragem pra sentar do seu lado, e te dizer tudo o que eu precisava dizer. Sim, eu precisava dizer. Se eu não dissesse à você naquela hora, eu não poderia dizer nunca mais. Eu iria embora. Para sempre. No dia seguinte, você não faria mais parte da minha rotina. E eu não queria partir com esse sentimento. Se não fizéssemos as pazes até o fim daquela festa, não haveria outra chance. Quando senti que aquela coragem brotava lentamente em meu coração, comecei a levantar trêmula daquela cadeira. E quando fui dar o primeiro passo em sua direção, aquela..aquela..Eu nem sei como chamá-la. Amiga? Que seja. Ela sentou-se do seu lado, e você sorriu. Um sorriso malicioso, torturoso, matador. Fiquei aliviada por não ser o seu melhor sorriso, aquele que só eu conseguia arrancar de seus lábios. Mas ainda sim, senti um vulcão prestes a entrar em erupção em meu corpo. Meu coração, minha veias, tudo latejava de tanta raiva. Tão poucas palavras trocadas, e ela conseguiu despedaçar meu coração em uma martelada só. Eu só pude ver os lábios dela tocando os seus. Então caí sentada naquela cadeira. Olhei para o chão, como se pudesse ver os pedaços do meu coração quebrado. Mas a única coisa que vi foi aquela gota. Uma gota salgada e amarga, uma gota de dor. Uma lágrima automática.
Minha visão esfumaçou-se, então percebi. Era só mais um sonho. Mas não fiz questão de abrir os olhos. Não queria que lágrimas automáticas molhassem meu travesseiro, não esta noite. Me desliguei. Como se meu coração fosse uma máquina. Que pudesse ser desligada. Naquela noite, não. Naquela noite eu não fazia questão de acordar. Adormeci. Desliguei meu coração.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Trechos de Uma História de Amor

A Rosa.

O sol brilhava intensamente, ofuscando minha visão. Mas ele não queimava. Havia fogo dentro de mim, mas não era o sol que me fazia queimar por dentro. Era o simples fato de estar na sua frente, estar perto de você. Ao alcance dos seus olhos, que me faziam queimar. Um fogo que me queimava, mas eu não sentia dor, era uma espécie de nostalgia. Essa era a palavra. Eu estava nostálgica. Você movia seus lábios calmamente, e deles saíam sons que soavam como música aos meus ouvidos. Suas palavras voavam até meu ouvido, e assopravam ele. Mas dessa vez, o sopro não queimava. Fazia congelar minha barriga. Ouvir você, minha música preferida. Me fazia esquecer todos os problemas e todas as preocupações. Me fazia sentir vazia e completa ao mesmo tempo. E eu nem sabia que isso era possível. Eu enxergava tudo branco e preto, como em um filme antigo. E eu não queria que a música parasse. Não queria que suas palavras chegassem ao fim. E de repente, uma cor surgiu na minha visão. Uma cor, tornou todo aquele branco e preto, num colorido único. Aquele vermelho tirou dos meus olhos o brilho mais inacreditável e mais sincero. Talvez você não tenha visto. Quando toquei naquela pétala macia, senti meu coração parar. Ou talvez ele estivesse batendo tão rápido, que não pude senti-lo. E quando você disse aquelas palavras. Aquelas três palavras, que eu nunca tinha ouvido de alguém antes. Você me fez perder o chão. 'Eu te amo'. Seguido do beijo mais doce, e mais completo de toda minha vida.
Então eu acordei. Era só mais uma lembrança. Uma lembrança minha, ou talvez nossa. Dos nossos momentos. Aqueles momentos que você sequer lembra mais. Deitei minha cabeça no travesseiro novamente, e voltei a dormir. Era o melhor que eu podia fazer, porque era a única forma de ter você novamente. Nos meus sonhos.

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